Stress e câncer: que ligação é esta?”, por Heloisa Garbuglio

Uma definição para o stress tão comentado e sentido em nossos dias seria um desequilíbrio do nosso organismo em resposta a influências ambientais. Desde os primórdios de nossa civilização, o homem vem tentando se adaptar e sobreviver às mais variadas intempéries da natureza, na busca pelo alimento, na luta pela demarcação do espaço geográfico, em guerras, tribais, mas, ainda reluta em conseguir dominar aquilo que lhe parece mais fácil: o seu semelhante e ele mesmo.

Com a vida em sociedade, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos ancestrais. O homem passou a escrever a sua história baseada em competitividade social, capacidade profissional, segurança social e sobrevivência econômica, história essa que é escrita com algum sofrimento, mágoas e tristezas que encontramos em nossas relações familiares, profissionais e sociais.

Se antigamente nossos ancestrais tinham objetivos reais determinados a combater, hoje a ameaça do perigo vive dentro de nós. Nosso coração bate mais forte na luta pela nossa sobrevivência, que se traduz pela instabilidade da nossa política econômica, desemprego, preços altos, o cumprimento de nossos compromissos cotidianos, a educação de filhos. Esse desequilíbrio vai gerar sintomas psicológicos e físicos tais como: tensão muscular, indigestão, ansiedade, insônia, dentre outros, que vão resultar em doenças.

Um stress temporário faz parte de algum momento em nossas vidas. O indivíduo percebe uma súbita ameaça, que lhe causa algum desequilíbrio, que envolve, por algum tempo, perdas temporárias. Num indivíduo saudável, todo o sistema do organismo conspira para que o equilíbrio retorne e a felicidade se restabeleça. Os sintomas do estresse fisiológico são extremamente idênticos nos animais e nos seres humanos, independentes da fonte estressora e constituem a forma que o organismo encontra para enfrentar o desafio. Esta resposta é conhecida como “resposta de luta ou fuga”, seguida de uma homeostase (relaxamento).

Quando a resposta de luta ou fuga é prolongada, a ação do indivíduo fica bastante limitada. O organismo não consegue agir, lutando ou fugindo para livrar-se do estresse. Organicamente há alterações nas glândulas supra-renais (adrenalina e cortisona), alterações no ritmo cardíaco, no controle da pressão arterial e principalmente no sistema neurológico.Psiquicamente o stress profundo, o esgotamento, e a ansiedade crônica, levam o indivíduo a um estado de apatia, desanimo e desinteresse em relação à vida.O paciente só consegue enxergá-la em “preto e branco”.

As fontes de descarga de stress são múltiplas. Eventos positivos ou negativos requerem que os indivíduos se adaptem a mudanças rápidas e profundas altamente estressantes. A doença aparece para o indivíduo como “forma de solução de problemas”. Podemos observar um forte vínculo entre o stress e o aparecimento do câncer nos indivíduos, ou seja, doenças que afetam o sistema imunológico do corpo e suas defesas materiais contra infecções e outras doenças.

A imagem popular do câncer é condicionada pela visão fragmentada do mundo e de nossa cultura. O câncer é visto como um poderoso agente invasor externo que ataca nosso corpo r que não podemos lutar. Na realidade a biologia celular nos mostra que as células cancerosas não são fortes e muito menos potentes. Elas são fracas, desordenadas, não invadem e nem destroem o nosso organismo. Elas simplesmente se super produzem. Podemos observar como se fosse um ciclo entro de nosso organismo onde:

 

– um câncer aparece numa célula com informação genética incorreta, danificada por substâncias nocivas, ambientais;

– informação defeituosa faz com que a célula não funcione normalmente;

– quando essa célula se reproduz temos um tumor composto de células imperfeitas.
Num organismo saudável o sistema imunológico reconhece as células anormais, destruindo-as, impedindo-as de se propagarem. Num sistema imunológico afetado pela depressão, pelo stress e pelo esgotamento, a defesa orgânica não é suficientemente forte para impedir que as células defeituosas proliferem. O câncer não é um ataque externo, mas na, realidade, um colapso interno.

Carl Simonton em suas pesquisas sobre o câncer constatou que estados de desequilíbrio gerados por stress prolongado, que é canalizada por meio de determinada personalidade, dão origem a distúrbios específicos. Tensões críticas que os indivíduos sentem como ‘’ sem saída’’, aparecem de seis a dezoito meses, antes do diagnóstico do câncer. Essas tensões geram sentimentos de desesperança, impotência e inadequação.

O stresse emocional afeta o sistema imunológico do corpo causando desequilíbrio acarretando alterações hormonais com aumento da produção de células anormais. O corpo se torna incapaz de destruir as células malignas no momento que a produção aumenta.

Lawrence Leshan estudou e identificou a mesma configuração de personalidade e estados emocionais dos indivíduos que desenvolveram câncer: sentimentos de abandono, isolamento, desespero durante a juventude, perda de parentes próximos na infância, e principalmente, estes indivíduos não serem capazes de externalizar seus sentimentos, suas magias, guardando-as de uma maneira colérica e hostil.

O processo de cura envolve uma abordagem multidimensional, para se iniciar o processo psicossomático de cura. O paciente procura restabelecer sua crença na eficácia dos tratamentos e na potência das defesas do seu corpo.  No nível biológico, a finalidade do tratamento é destruir as células cancerosas e neutralizar o sistema imunológico. É importante a terapia física usada concomitantemente com a abordagem psicológica. Atualmente, além da terapia convencional, tenho associado ao meu trabalho outras técnicas: Terapia Regressiva; Visualização Criativa e Hipnose, que acredito ajudam a fortalecer o sistema imunológico os pacientes, fazendo-os rever seus sistemas de crenças, bem como lhes facilitar o acesso ao inconsciente por meio de uma linguagem simbólica. A mudança no sistema de crenças vai se realizar no nível físico, mental, filosófico e espiritual. Por meio dessas técnicas, o paciente pode ou não melhorar do câncer, mas com certeza vai conseguir melhorar a qualidade de vida ou de sua morte. Lidar com a morte é aprender a lidar com a vida.

Bibliografia:

Bizarri, Mariano. A mente e o câncer, Summus, São Paulo, 2001.
BREAUX, Charles. Jornada rumo á Consciência, Pensamento, São Paulo, 2000.
CAPRA, Fritjof. O Tao da física, Summus, São Paulo, 1997.
LESHAN, Lawrence. O Câncer como ponto de Mutação.Summmus editorial, São Paulo; 1992

heloisagarbuglio@hotmail.com

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *