A Coodependência e a Dependência Química, Por Mariana Rosas

Quando nos deparamos com um filho, um pai, uma mãe, enfim, qualquer pessoa do nosso convívio familiar que faça o abuso de substâncias químicas, o medo nos invade. Primeiramente começamos a nos perguntar onde foi que erramos e a nos sentir culpados. A preocupação, a culpa, os ressentimentos, viram nossos aliados e passamos a conviver com vários sentimentos que nos causam dor. Aí a gente lê, estuda, consulta os amigos, profissionais e por fim descobrimos que temos uma pessoa doente em casa: a doença da dependência química. Uma doença progressiva, incurável e fatal.

O desespero chega. E agora?
Agora temos 2 opções. Geralmente a mais fácil, a mais reconfortante e a mais habitual é começarmos a proteger  o nosso dependente químico de tudo e de todos. Pagamos as dívidas dele, damos dinheiro a ele, arranjamos desculpas para o comportamento dele, arcamos com as responsabilidades que são dele e por aí vai. Aí percebemos que não está funcionando e que por mais que façamos tudo o que podemos, nada adianta. E mesmo relutantes, vamos a segunda opção: buscar ajuda profissional. Geralmente o ideal é uma Internação e acabamos por fazê-la. O nosso dependente químico está em tratamento. É nós? Nós estamos tentando descansar de tudo o que aconteceu nos últimos meses ou anos, sem nos dar conta que juntamente com ele, nós adoecemos também. Passamos a viver a vida dele, colocamos no comportamento dele as nossas alegrias e tristezas, passamos a não dormir, a não comer, pois apesar da dependência química não ser uma doença contagiosa, trata-se de uma doença contagiante. Bom, parece que essa ultima é a segunda opção, mas não, a verdadeira segunda opção para uma recuperação plena, é nos tratarmos também, pois acabamos por adoecer  juntamente com o dependente. A nossa  doença chama-se Coodependência. Uma pessoa coodependente permite que o comportamento de outra pessoa a afete e sente-se obcecada em manter o controle sobre o comportamento do outro.
Para o sucesso do tratamento da dependência química é de extrema importância que a família, na maior parte às vezes, coodependente, se trate também para que ao término da internação, tenha se criado um padrão de convívio onde se consiga estabelecer  limites saudáveis e de respeito mútuo.

Mariana Rosas

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